Resistir é preciso.Ou melhor,vital.

São coisas que antes passavam como inocentes comentários e brincadeiras sem maiores consequências.Mas se pararmos para pensar tais expressões e diálogos trazem o acre sabor de absinto da intolerância e do sentimento supremacista que tanto fere e nos envergonha, seja em países ditos evoluídos ou atrasados (em desenvolvimento,a ONU prefere assim).
Na minha adolescência ouvi a mãe de uma amigo meu (mestiço) proferir essa insólita frase:
- Filho,por favor,se for casar,arranje uma branca,de preferência loura.Precisamos limpar nossa raça.
Interpretei como brincadeira,mesmo achando um comentário pesado,apesar de não tão incomum nos anos 80.
Treze anos depois vimos a implosão da Iugoslávia de Tito e o horror da "limpeza étnica".Milhares de bósnios e kosovares exterminados como baratinhas francesas.A ONU foi dura e tomou uma medida drástica no final do conflito: proibiu o uso do termo "Limpeza Étnica".Agora sim,uma mudança de verdade.
Aqui no Brasil não houve uma "limpeza Étnica",mas um Cordão Sanitário: pessoas bem situadas no topo da Cadeia Alimentar da nossa sociedade mantêm uma distância saudável de favelados,moradores da Baixada e afins e demais sub-raças.
Lembro de uma entrevista de uma grã-fina ,contrária à Estação Nossa Senhora da Paz:
-Essa estação vai trazer gente "diferenciada" para cá.Leia-se,gente diferenciada só para serviços domésticos,portaria,faxina e com folga quinzenal.Isso com o Cordão Sanitário ,nada de misturas.
O episódio que vemos nos EUA mostra isso:Não é apenas a asfixia do pobre Floyd,é a asfixia de todas as etnias que buscam dignidade e melhores condições de vida e só enxergam olhares de soslaio e rótulos malvados e injustos (terrorista,traficante,ladrão,oportunista,vadio). O papo da Estátua da Liberdade "Frase que estava escrita no pedestal da estatua: “Venham a mim as massas exaustas, pobres e confusas ansiando por respirar liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade. Eu os guio com minha tocha.” é apenas figura de linguagem.







Comentários

  1. Excelente reflexão. O mais triste é ver como toda essa dor e tristeza são banalizados em redes sociais por uma comunidade hipócrita. Muito fácil postar em redes sociais que "vidas negras importam" e outras obviedades, sem nunca ter se preocupado em se auto censurar contra o próprio racismo ( sim, todos nós temos pelo menos um pouco).
    Sim, minha cara gente branca, vidas negras importam, o mar é salgado e fogo queima. Floyd não precisava de pleonasmo, indulgência nem de complacência virtual forçada, ele precisava ser reconhecido e protegido pelo governo que existe para servi-lo, ao invés de ser visto como inimigo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo carinho e receptividade.Seu comentário enriqueceu minha matéria e me deixou muito feliz.Deus o abençoe filho querido.

      Excluir

Postar um comentário